Dor no corredor: quando parar e como voltar a correr

Até metade dos corredores tem uma lesão por ano. A maioria não é causada por um acidente, mas por um desequilíbrio entre a carga do treino e a capacidade do corpo de se adaptar. Perceber onde dói e porquê permite tratar sem deixar de correr, na maior parte dos casos.

As lesões mais frequentes no corredor

Para uma explicação mais detalhada de cada uma, veja lesões na corrida: as 5 mais comuns.

  • Dor na frente do joelho: conflito femuropatelar.

  • Dor na parte de fora do joelho: síndrome da banda iliotibial.

  • Dor na canela: síndrome de stress tibial medial ("canelite") ou, se a dor é num ponto e piora com o impacto, fratura de stress.

  • Dor no tendão de Aquiles: tendinopatia de Aquiles.

  • Dor na planta do pé ao acordar: fasceíte plantar.

  • Dor na anca ou na nádega: tendinopatia dos glúteos ou dos isquiotibiais. Veja dor na anca.

Porque surgem

  • aumentos rápidos de volume, de ritmo ou de desnível;

  • pouco treino de força para as pernas e a anca;

  • padrões de passada que concentram a carga num sítio, como o joelho a cair para dentro;

  • recuperação insuficiente: pouco sono, pouca alimentação para o volume de treino;

  • calçado muito diferente do habitual, introduzido de repente.

Sinais para parar e procurar avaliação

  • dor que aumenta durante a corrida em vez de aliviar;

  • dor num ponto de um osso, que dói ao saltar num pé;

  • coxear durante ou depois do treino;

  • dor que dura mais de duas semanas apesar de reduzir o treino.

Como tratamos lesões de corrida na Clínica Myalgia

Como aumentar o treino com segurança

  • Aumentar o volume semanal de forma gradual e incluir uma semana mais leve a cada três ou quatro.

  • Não aumentar ao mesmo tempo o volume, a intensidade e o desnível.

  • Introduzir calçado novo aos poucos, alternando com o anterior.

  • Dormir o suficiente e comer o necessário para o volume de treino.

Força para corredores

Duas sessões de treino de força por semana reduzem o risco de lesão e melhoram a economia de corrida. Os exercícios base são agachamento, peso morto, lunges, elevações de gémeos e trabalho de anca. Mais do que muitos exercícios, importa usar uma carga que desafie e aumentá-la ao longo das semanas.

Como voltar a correr depois de uma lesão

O regresso faz-se por etapas, e só se avança quando a etapa anterior não provoca dor no dia seguinte:

  1. Testes simples sem dor: caminhar a passo rápido 30 minutos, fazer agachamentos numa perna e saltar no mesmo sítio.

  2. Alternar caminhada e corrida: por exemplo, 1 minuto a correr e 1 a caminhar, em dias alternados, aumentando o tempo de corrida ao longo das semanas.

  3. Corrida contínua em terreno plano, a ritmo confortável, antes de voltar às séries, às subidas e às descidas.

  4. Regresso ao plano habitual, mantendo o treino de força duas vezes por semana.

Uma dor ligeira durante a corrida (até 3 numa escala de 0 a 10) pode ser aceitável, desde que desapareça depois do treino e não aumente na manhã seguinte. Se aumentar, volta-se à etapa anterior.

Perguntas frequentes sobre dor na corrida

Tenho de parar de correr?

Nem sempre. Muitas lesões permitem continuar com menos volume e menos intensidade, desde que a dor se mantenha baixa e não aumente no dia seguinte.

Mudar de ténis resolve a dor?

Raramente sozinho. O calçado pode ajudar, mas a causa costuma estar na carga do treino e na forma como o corpo a absorve.

Correr faz mal aos joelhos?

Em pessoas sem lesão, correr de forma regular e progressiva não aumenta o risco de artrose do joelho.

Quando devo fazer uma análise da corrida?

Se tem lesões que voltam, se vai aumentar muito o volume (por exemplo, preparar uma maratona ou um trail longo) ou se quer melhorar a eficiência.

Dr. Miguel Reis e Silva

Médico do Sport Lisboa e Benfica

Diretor Clínico e Fundador das Clínicas Myalgia

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