Dor no cotovelo: epicondilite, causas e tratamento
A dor no cotovelo surge sobretudo em quem repete o mesmo gesto com o punho e a mão: no ténis e no padel, no golfe, no ginásio, ao computador ou em trabalhos manuais. Na maior parte dos casos o problema está nos tendões que se prendem ao cotovelo, e o tratamento mais eficaz é a carga progressiva desses tendões, não o repouso.
As causas mais frequentes
Epicondilite lateral ("cotovelo de tenista"): dor na parte de fora do cotovelo, ao agarrar objetos, rodar uma chave ou levantar uma chávena. É uma tendinopatia dos músculos que estendem o punho.
Epicondilite medial ("cotovelo de golfista"): dor na parte de dentro, ao fechar a mão com força ou dobrar o punho.
Compressão do nervo cubital: formigueiro no 4.º e 5.º dedos, sobretudo com o cotovelo dobrado durante muito tempo. Saiba mais em dor neuropática.
Bursite do olecrânio: inchaço mole na ponta do cotovelo, muitas vezes por apoio prolongado sobre a mesa.
Lesões traumáticas: depois de uma queda sobre a mão ou de uma entorse do cotovelo.
Quando procurar ajuda com urgência
Deformidade ou incapacidade de mexer o cotovelo depois de uma queda.
Cotovelo quente, vermelho e inchado, sobretudo com febre.
Perda de força na mão ou dormência que não passa.
Como fazemos o diagnóstico
Na consulta médica de dor, o exame clínico localiza o tendão ou o nervo envolvido. A ecografia mostra o estado do tendão (espessura, roturas parciais, vascularização) e permite acompanhar a evolução. É também importante perceber o gesto que sobrecarrega o cotovelo: a pega da raquete, a técnica no ginásio ou o posto de trabalho.
Tratamento
Fisioterapia com carga progressiva: exercícios de força para os músculos do antebraço, aumentados semana a semana, e correção do gesto. É a base do tratamento das epicondilites.
Ajustar a carga, não parar: reduzir temporariamente os gestos que mais doem, mantendo a atividade possível.
Plasma rico em plaquetas (PRP) guiado por ecografia: uma opção nas tendinopatias que não melhoram com o exercício.
Injeções de corticoide: aliviam a dor a curto prazo, mas podem atrasar a recuperação do tendão, por isso usam-se com prudência.
Como costuma evoluir o plano de exercício
Fase de alívio: exercícios isométricos (contrair sem mexer o punho) várias vezes por dia, que costumam reduzir a dor.
Fase de força: exercícios com peso para os músculos do antebraço, incluindo a fase de travagem lenta do movimento, aumentando a carga semana a semana.
Fase de gesto: exercícios de pega, rotação e velocidade parecidos com o desporto ou o trabalho.
Regresso completo: voltar ao volume normal de jogo ou de trabalho, mantendo dois treinos de força por semana.
Como prevenir
No ténis e no padel: rever o tamanho do punho da raquete, a tensão das cordas e a técnica da esquerda.
No ginásio: aumentar as cargas de forma gradual e variar as pegas.
No trabalho: alternar tarefas, usar um rato que mantenha o punho neutro e fazer pausas curtas.
Manter os músculos do antebraço e do ombro fortes, sobretudo em quem joga várias vezes por semana.
Perguntas frequentes sobre dor no cotovelo
Devo usar uma braçadeira para a epicondilite?
Pode aliviar a dor durante o esforço, mas não trata a causa. Deve ser usada como apoio enquanto se faz o plano de exercício.
Quanto tempo demora a passar um cotovelo de tenista?
Com um plano de exercício bem dirigido, a maioria das pessoas melhora ao longo de algumas semanas a poucos meses. Sem tratamento, a dor pode prolongar-se por muito tempo.
Posso continuar a jogar ténis ou padel?
Muitas vezes sim, com ajustes na intensidade, no material e na técnica. O fisioterapeuta indica o que manter e o que adaptar em cada fase.
Preciso de cirurgia?
Raramente. A cirurgia fica para casos que não respondem a vários meses de tratamento bem feito.
Dr. Miguel Reis e Silva
Médico do Sport Lisboa e Benfica
Diretor Clínico e Fundador das Clínicas Myalgia
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