Conflito femuropatelar: dor na frente do joelho

O conflito femuropatelar, também chamado síndrome de dor femuropatelar, é a causa mais frequente de dor na frente do joelho, sobretudo em corredores, adolescentes ativos e mulheres jovens. A dor nasce na articulação entre a rótula e o fémur quando esta é sobrecarregada, e na grande maioria dos casos trata-se sem cirurgia.

Sintomas típicos

  • dor à volta ou atrás da rótula;

  • dor ao subir e, sobretudo, ao descer escadas;

  • dor ao agachar, ao correr em descidas ou depois de muito tempo sentado com os joelhos dobrados;

  • estalidos ao dobrar o joelho, normalmente sem gravidade.

Porque acontece

  • Aumento rápido da carga: mais quilómetros, mais desníveis ou mais agachamentos do que o joelho está preparado para aguentar.

  • Controlo da anca e do joelho: quando o joelho "cai para dentro" ao apoiar (valgo dinâmico), a rótula desliza mal e a pressão aumenta.

  • Fraqueza do quadricípite e dos músculos da anca.

  • Fatores anatómicos: a forma da rótula ou a sua posição podem contribuir em algumas pessoas.

Outras causas de dor na frente do joelho

Nem toda a dor à volta da rótula é conflito femuropatelar. A tendinopatia rotuliana dói num ponto preciso logo abaixo da rótula e é típica de quem salta (voleibol, basquetebol). A doença de Osgood-Schlatter causa dor e um relevo abaixo do joelho em adolescentes em crescimento. Uma lesão do menisco costuma doer na linha articular, de lado, e pode provocar bloqueios. E em pessoas mais velhas, a dor ao subir escadas pode ser artrose da articulação femuropatelar. Distinguir estas causas muda o tratamento, por isso o exame clínico é o primeiro passo.

Quando procurar um médico

  • Joelho inchado, quente ou que bloqueia.

  • Sensação de que o joelho "foge" ou a rótula sai do sítio.

  • Dor depois de uma queda ou de uma torção.

  • Dor que não melhora ao fim de algumas semanas de redução da carga e exercício.

Como fazemos o diagnóstico

O diagnóstico é clínico: a história e o exame do joelho bastam na maioria dos casos. Na Clínica Myalgia completamos com a análise do movimento, que mostra se o joelho perde o alinhamento ao agachar, saltar ou correr. Exames de imagem só se pedem quando há suspeita de outra lesão.

Tratamento

  • Ajustar a carga: reduzir temporariamente o que mais dói, sem parar toda a atividade.

  • Fisioterapia com exercício: fortalecer o quadricípite e os músculos da anca é o tratamento com mais evidência.

  • Treino do movimento: corrigir o valgo dinâmico ao agachar, saltar e correr.

  • Palmilhas por medida: úteis a curto prazo em quem tem o pé a colapsar para dentro.

  • Regresso progressivo à corrida ou ao desporto, com um plano por semanas.

Saiba mais sobre outras causas em dor no joelho.

Exercícios que costumamos usar

  • Anca: abdução lateral deitado, ponte de glúteos e passos laterais com elástico, para controlar a rotação da coxa.

  • Quadricípite: extensões de joelho em amplitude confortável, agachamentos parciais e step-ups, aumentando a carga de forma gradual.

  • Controlo do movimento: agachamento numa perna à frente do espelho, mantendo o joelho alinhado com o pé.

Uma dor ligeira durante o exercício (até 3 numa escala de 0 a 10) é aceitável, desde que não aumente no dia seguinte.

Como prevenir

  • Aumentar o volume de corrida ou de treino de forma gradual.

  • Fazer treino de força para as pernas e a anca duas vezes por semana.

  • Atenção às descidas longas e aos treinos com muitos saltos, que carregam mais a rótula.

  • Em desportistas com dor recorrente, fazer uma análise biomecânica.

Perguntas frequentes sobre conflito femuropatelar

Os estalidos no joelho são graves?

Na maioria dos casos não. Estalidos sem dor nem inchaço são frequentes e não precisam de tratamento.

Posso continuar a correr?

Muitas vezes sim, reduzindo o volume e as descidas e evitando correr com dor que aumenta durante o treino. O plano de regresso é ajustado à resposta do joelho.

Quanto tempo demora a recuperação?

Com exercício bem dirigido, a maioria das pessoas melhora ao longo de seis a doze semanas.

Preciso de cirurgia?

Raramente. A cirurgia só se considera em casos com alterações anatómicas importantes que não respondem a um tratamento conservador bem feito.

Dr. Miguel Reis e Silva

Médico do Sport Lisboa e Benfica

Diretor Clínico e Fundador das Clínicas Myalgia

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