Dor neuropática: sintomas, causas e tratamento
O termo dor neuropática é um desígnio dado à dor que tem origem no sistema nervoso. Embora possa ter origem no sistema nervoso central (medula e cérebro) a dor neuropática tem usualmente origem a nível periférico.
No caso da dor neuropática por neuropatias compressivas (compressão por uma estrutura adjacente), existem múltiplas etiologias. No membro superior existe o caso do Nervo Mediano no Canal Cárpico, do Nervo Radial na Arcada de Frohse, do Nervo Cubital no Canal de Guyon ou no canal cubital ao nível do cotovelo, entre outras. No membro inferior existe o caso do Nervo Ciático no Músculo Piriforme ou nos Tendões Isquiotibiais, do Nervo Peroneal no colo do Perónio ou do Nervo Sural ao atravessar a fascia superficial. O tratamento usualmente consiste na resolução da compressão do nervo, realizando Hidrodilatações de Nervos Periféricos guiadas por ecografia (separando o nervo das estruturas adjacentes), realizando injeções de Toxina Botulínica (no caso dos conflitos com músculos) ou até libertações ligamentares guiadas por imagem.
Existem outras causas de Neuropatias como as decorrentes de Nevralgia do Trigémeo, infeções a Varicela zoster, entre outros. Nestes casos, além da medicação, existem múltiplos procedimentos com possíveis aplicações como os Bloqueios de Nervo Periférico, a Radiofrequência pulsada ou ablativa, a Crioablação ou até o implante de Neuroestimuladores periféricos ou medulares.
Como se reconhece uma dor neuropática
A dor neuropática tem características próprias, diferentes da dor de um músculo ou de uma articulação:
sensação de queimadura, choque elétrico, picadas ou formigueiro;
dormência ou sensibilidade alterada na pele da zona afetada;
dor provocada por estímulos que normalmente não doem, como o toque da roupa;
distribuição que segue o trajeto de um nervo, por exemplo da coluna para o braço ou para a perna;
agravamento à noite ou em certas posições que comprimem o nervo.
Como fazemos o diagnóstico
Na consulta médica de dor, o exame neurológico mostra que nervo está envolvido e em que ponto do trajeto. A ecografia permite ver o nervo, medir a sua espessura e identificar a estrutura que o comprime, como um ligamento, um músculo ou um quisto. Quando é preciso confirmar a lesão do nervo, pode ser pedida uma eletromiografia.
Este diagnóstico preciso é o que permite escolher o tratamento: o mesmo formigueiro na mão pode vir do canal cárpico, do cotovelo ou do pescoço, e cada caso trata-se de forma diferente.
Tratamento
Medicação para a dor neuropática: os analgésicos comuns costumam ser pouco eficazes; existem fármacos específicos, ajustados pelo médico a cada caso.
Procedimentos guiados por ecografia: hidrodilatação do nervo, bloqueios de nervo periférico, radiofrequência pulsada e toxina botulínica quando um músculo comprime o nervo.
Fisioterapia: mobilização neural e correção da postura ou do gesto que mantém a compressão.
Perguntas frequentes sobre dor neuropática
O formigueiro na mão é sempre síndrome do canal cárpico?
Não. Pode vir do nervo mediano no punho, do nervo cubital no cotovelo ou de uma raiz nervosa no pescoço. O exame clínico e a ecografia distinguem estas origens.
A dor neuropática tem cura?
Depende da causa. Nas compressões de nervos, libertar o nervo resolve muitas vezes a dor. Noutras causas, como a nevralgia pós-zona, o objetivo é controlar a dor e manter a qualidade de vida.
Quando devo procurar um médico?
Se a dor durar mais de algumas semanas, se houver perda de força ou dormência que não passa, ou se a dor acordar durante a noite.
Dr. Miguel Reis e Silva
Médico do Sport Lisboa e Benfica
Diretor Clínico e Fundador das Clínicas Myalgia
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