Radiofrequência na dor lombar: para quem e quanto dura
A radiofrequência é um procedimento para a dor lombar crónica que tem origem nas articulações facetárias, as pequenas articulações na parte de trás da coluna. Usa calor controlado para interromper o nervo que transmite a dor dessas articulações, e pode dar alívio durante vários meses, o que permite fazer a reabilitação com menos dor.
Para quem está indicada
dor lombar há mais de três meses, sobretudo no centro ou de um dos lados da coluna;
dor que agrava ao arquear as costas para trás, ao rodar ou depois de muito tempo de pé;
sem melhoria suficiente com exercício e fisioterapia bem feitos;
alívio claro, mas temporário, com um bloqueio diagnóstico dos ramos mediais.
Não é o tratamento indicado para a dor que desce pela perna por compressão de uma raiz nervosa; nesses casos há outras opções, como a injeção epidural.
Como funciona o processo
Consulta médica de dor: exame clínico para perceber de onde vem a dor e se a radiofrequência faz sentido.
Bloqueio diagnóstico: injeção de anestésico junto dos nervos das articulações suspeitas. Se a dor alivia de forma clara nas horas seguintes, confirma-se a origem.
Radiofrequência: sob anestesia local e guiada por imagem, uma agulha própria aplica calor nos ramos mediais. O procedimento é feito em ambulatório e a pessoa vai para casa no mesmo dia.
Reabilitação: com menos dor, é altura de reforçar os músculos que estabilizam a coluna com fisioterapia.
A radiofrequência faz parte dos procedimentos guiados por imagem realizados na Clínica Myalgia, sempre integrada num plano de tratamento que inclui exercício e acompanhamento médico.
O que esperar
O efeito costuma notar-se ao fim de duas a três semanas e pode durar de vários meses a mais de um ano, porque os nervos acabam por se regenerar. Se a dor voltar, o procedimento pode ser repetido. Os efeitos secundários são pouco frequentes e geralmente ligeiros, como dor local nos primeiros dias.
Saiba mais sobre as causas e o tratamento da dor lombar.
Radiofrequência convencional e pulsada
Radiofrequência convencional (ablativa): aquece o nervo o suficiente para interromper a transmissão da dor. É a mais usada nas articulações facetárias lombares e cervicais.
Radiofrequência pulsada: aplica a corrente em impulsos, sem destruir o nervo. Usa-se, por exemplo, em raízes nervosas e em alguns nervos periféricos.
Riscos e cuidados
Como em qualquer procedimento com agulha, há um pequeno risco de hemorragia ou infeção. Pode haver dor local ou alterações transitórias da sensibilidade na pele. É importante informar o médico se toma anticoagulantes ou tem alergias. Depois do procedimento, recomenda-se repouso relativo no próprio dia e regresso gradual à atividade.
Perguntas frequentes sobre radiofrequência
A radiofrequência dói?
É feita com anestesia local. Pode haver algum desconforto durante o procedimento e dor local nos dias seguintes.
Quanto tempo dura o efeito?
Varia de pessoa para pessoa: em geral, de vários meses a mais de um ano.
Posso trabalhar no dia seguinte?
Na maioria dos casos sim, em trabalhos sem grande esforço físico. O médico indica quando retomar o exercício.
A radiofrequência substitui a cirurgia?
São tratamentos para problemas diferentes. A radiofrequência trata a dor das articulações facetárias; a cirurgia fica para situações como compressões nervosas graves ou instabilidade.
Dr. Miguel Reis e Silva
Médico do Sport Lisboa e Benfica
Diretor Clínico e Fundador das Clínicas Myalgia
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