O tratamento correto para a dor no joelho

A dor no joelho é uma das causas mais frequentes de limitação funcional em adultos em Portugal, tanto na população sedentária como em pessoas fisicamente ativas.

Trata-se de uma articulação central para a mobilidade diária, responsável por suportar cargas elevadas em atividades aparentemente simples, como caminhar, subir escadas ou levantar-se de uma cadeira.

Do ponto de vista biomecânico, o joelho suporta forças equivalentes a várias vezes o peso corporal durante o movimento, o que explica porque pequenas alterações no alinhamento, na força muscular ou na gestão da carga podem rapidamente resultar em dor.

tratamento para a dor no joelho

Quando a capacidade dos tecidos do joelho (cartilagem, meniscos, ligamentos, tendões e músculo) deixa de ser suficiente para tolerar as exigências impostas, surgem sintomas.

A dor não aparece por acaso: é um sinal de que algo no equilíbrio entre carga e capacidade está comprometido. Perceber a origem dessa dor é essencial para tratar correctamente e evitar a progressão para quadros crónicos.

Ao longo deste artigo explicamos, de forma lógica e baseada em evidência científica, as causas mais comuns da dor no joelho, os sinais de alerta que exigem avaliação médica, como é feito o diagnóstico e quais as opções de tratamento e prevenção.

Causas mais comuns da dor no joelho

A dor no joelho raramente tem uma única causa isolada. Na maioria dos casos resulta da combinação de factores mecânicos, estruturais e funcionais que se acumulam ao longo do tempo.

Degeneração articular e osteoartrose do joelho

A osteoartrose do joelho é uma das causas mais frequentes de dor em adultos a partir da meia-idade, sendo também uma causa relevante de incapacidade funcional em Portugal. Caracteriza-se por um processo progressivo de desgaste da cartilagem articular, associado a alterações do osso subcondral e inflamação de baixo grau da articulação.

Clinicamente, manifesta-se por dor mecânica, que piora com a atividade e melhora com o repouso, rigidez ao iniciar o movimento após períodos de inatividade e desconforto ao subir ou descer escadas.

A progressão não é linear nem inevitável: fatores como excesso de peso, fraqueza muscular, lesões prévias e desalinhamento do membro inferior aceleram o processo.

A evidência científica é clara ao demonstrar que o reforço muscular adequado, sobretudo do quadricípite e dos músculos da anca, reduz a carga articular efectiva e melhora a função, o que contraria a ideia errada de que o exercício “gasta” o joelho.

Lesões traumáticas e desportivas

As lesões traumáticas são frequentes em modalidades como futebol, futsal, padel, corrida e em situações do quotidiano, como quedas ou entorses. Podem envolver ligamentos, meniscos, cartilagem ou resultar de impactos directos.

A dor surge de forma súbita, muitas vezes associada a inchaço rápido e dificuldade em apoiar o peso corporal. Lesões ligamentares, como do ligamento cruzado anterior ou colateral medial, e lesões meniscais agudas são causas comuns nestes contextos. Ignorar os sintomas iniciais e manter a actividade sem ajuste de carga aumenta significativamente o risco de agravamento e de lesões secundárias.

Lesões dos meniscos e instabilidade articular

Os meniscos têm um papel fundamental na absorção e distribuição de carga dentro da articulação do joelho. Lesões meniscais podem ocorrer de forma traumática ou degenerativa, especialmente em adultos a partir dos 40 anos.

Sensação de bloqueio, estalidos dolorosos, instabilidade ou dor localizada na linha articular são sinais sugestivos de envolvimento interno. Quando existe instabilidade persistente, o joelho perde eficiência mecânica, o que acelera o desgaste da cartilagem. A abordagem atual privilegia o tratamento conservador sempre que possível, com reabilitação orientada, para deixar a cirurgia somente em situações bem definidas.

Dor anterior do joelho e alterações biomecânicas

A dor localizada na parte anterior do joelho, frequentemente associada à rótula, é uma das queixas mais comuns em adultos. Está habitualmente relacionada com alterações do controlo do movimento, fraqueza dos músculos estabilizadores da anca, rigidez muscular e aumento rápido da carga de treino.

Este tipo de dor tende a agravar-se ao descer escadas, agachar ou permanecer sentado durante longos períodos. Não se trata de um problema estrutural isolado, mas sim de uma alteração funcional que responde muito bem a programas de reeducação do movimento e fortalecimento muscular.

Excesso de peso e fatores posturais

O peso corporal tem um impacto direto na carga exercida sobre o joelho. Cada quilograma adicional traduz-se num aumento significativo da força aplicada à articulação em cada passo, efeito que se multiplica ao longo do dia. Em Portugal, onde a prevalência de excesso de peso na população adulta é elevada, este fator assume particular relevância clínica.

Alterações do alinhamento do membro inferior, como joelhos em varo ou valgo, bem como alterações do apoio do pé, modificam a distribuição das forças articulares e contribuem para dor progressiva. Pequenas correções biomecânicas podem ter impacto clínico significativo.

Sintomas e sinais de alerta

Nem toda a dor no joelho é grave, mas existem sinais que não devem ser ignorados. A dor aguda, associada a trauma e inchaço rápido, exige avaliação clínica. A dor crónica que persiste por semanas, interfere com atividades diárias ou piora progressivamente também justifica investigação.

Inchaço persistente, calor local marcado, bloqueio articular, instabilidade ao caminhar ou dor noturna são sinais de alerta. A incapacidade de suportar o peso corporal ou a presença de febre associada à dor articular requerem observação médica urgente.

Diagnóstico da dor no joelho

Diagnóstico da dor no joelho

O diagnóstico inicia-se com uma avaliação clínica cuidada, baseada na história dos sintomas e no exame físico. A observação da marcha, a avaliação da mobilidade, da força muscular e da estabilidade articular são determinantes para orientar o raciocínio clínico.

Os exames complementares são utilizados de forma dirigida. A radiografia avalia alinhamento e desgaste articular. A ressonância magnética é útil para estudar meniscos, ligamentos e cartilagem quando os sintomas persistem ou existem sinais de lesão interna. A ecografia pode ser utilizada para avaliar derrames, tendões e bursas.

Em Portugal, esta avaliação pode ser realizada no âmbito do Serviço Nacional de Saúde ou no sector privado, nomeadamente em unidades com experiência em patologia músculo-esquelética, como a Clínica Myalgia, onde a abordagem integrada facilita o diagnóstico funcional e o plano de tratamento.

Tratamento da dor no joelho

O tratamento deve ser ajustado à causa, à idade biológica, ao nível de atividade e aos objetivos pessoais. A gestão da carga é o primeiro passo: reduzir temporariamente atividades irritativas sem eliminar o movimento.

O gelo pode ser útil em fases inflamatórias, e a medicação analgésica ou anti-inflamatória pode ser utilizada de forma pontual, sempre com orientação médica.

A fisioterapia é o pilar central do tratamento. Programas estruturados de fortalecimento, controlo neuromuscular e reeducação do movimento demonstram melhorias consistentes na dor e na função, tanto em quadros degenerativos como pós-traumáticos.

A cirurgia é reservada para situações específicas, quando o tratamento conservador falha ou existe uma lesão estrutural clara com impacto funcional significativo.

Prevenção e cuidados a longo prazo

A prevenção da dor no joelho passa por manter força muscular adequada, mobilidade articular e uma gestão inteligente da carga física. O exercício regular, de baixo a moderado impacto, é protector. A escolha de calçado adequado, a atenção à técnica de movimento e o controlo do peso corporal são factores determinantes para reduzir o risco de recorrência.

A dor no joelho não deve ser encarada como algo “normal” ou inevitável. Quando compreendida e tratada de forma correcta, é possível recuperar função, manter actividade e evitar a progressão para quadros crónicos.

Perguntas Frequentes sobre dor no joelho

A dor no joelho pode ter origem mecânica, inflamatória ou funcional e, na maioria dos casos, melhora com medidas adequadas quando a causa é corretamente identificada. A gestão da carga, o tipo de exercício realizado, os hábitos do dia a dia, a alimentação e a fisioterapia têm um impacto direto tanto no controlo da dor como na recuperação funcional.

Quais são as causas mais comuns de dor nos joelhos?

As causas mais frequentes de dor no joelho incluem o desgaste progressivo da cartilagem, como o excesso de peso, a osteoartrose, lesões dos ligamentos, dos meniscos ou dos tendões. Estes são igualmente comuns e surgem muitas vezes após torções, quedas ou esforços repetidos, sobretudo em contexto desportivo ou de sobrecarga física.

Que exercícios são recomendados para aliviar a dor no joelho?

Atividades de baixo impacto fortalecem a musculatura sem sobrecarregar a articulação e são geralmente bem toleradas. Caminhar em terreno plano, pedalar numa bicicleta estática ou praticar natação contribuem para melhorar a estabilidade articular, a resistência muscular e a função global do joelho.

Exercícios simples realizados em casa podem ser igualmente eficazes quando bem orientados. Movimentos como a elevação da perna estendida, agachamentos de curta amplitude com apoio e alongamentos suaves do quadricípite ajudam a melhorar o controlo muscular e a reduzir o desconforto. A progressão deve ser gradual e ajustada à tolerância individual, sem exercícios que provoquem agravamento da dor.

Quando devo procurar um médico por causa da dor no joelho?

A dor no joelho deve ser avaliada clinicamente quando se torna persistente, progressiva ou interfere com as atividades do dia a dia. Situações como inchaço súbito, sensação de instabilidade, estalidos acompanhados de dor ou dificuldade em suportar o peso corporal justificam observação médica sem demora.

A presença de febre, vermelhidão intensa, calor local marcado ou dor nocturna que surge sem esforço prévio levanta suspeita de infecção ou inflamação sistémica e requer avaliação urgente. Nestes casos, adiar o contacto médico pode atrasar o diagnóstico e comprometer a recuperação.

Existem tratamentos caseiros para a dor no joelho?

Em fases iniciais ou após sobrecarga pontual, algumas medidas simples realizadas em casa podem ajudar a aliviar os sintomas. O repouso relativo permite reduzir a irritação dos tecidos sem necessidade de interromper totalmente a actividade. A aplicação de gelo durante 10 a 15 minutos, duas a três vezes por dia, é útil para controlar a inflamação e o inchaço após esforço.

A escolha de calçado com bom amortecimento e suporte adequado contribui para diminuir o impacto diário sobre o joelho, sobretudo em pessoas que passam muitas horas em pé ou caminham regularmente.

Como a alimentação pode influenciar a saúde dos joelhos?

A alimentação desempenha um papel importante na saúde articular, principalmente através do controlo do peso corporal e do suporte à massa muscular. Uma ingestão adequada de proteína ajuda a preservar e recuperar a musculatura que estabiliza o joelho, enquanto uma dieta rica em vegetais fornece antioxidantes que contribuem para os processos de recuperação dos tecidos.

Os ácidos gordos ómega-3, presentes sobretudo em peixes gordos como a sardinha ou o salmão, têm efeito anti-inflamatório e podem ajudar a modular a dor em contextos inflamatórios crónicos. A hidratação adequada é outro factor frequentemente esquecido, mas essencial para a lubrificação articular e para o funcionamento normal dos tecidos.

Qual é o papel da fisioterapia no tratamento da dor nos joelhos?

A fisioterapia atua não apenas no alívio dos sintomas, mas na causa do problema. Através da correção de padrões de movimento inadequados, do reforço muscular e da melhoria da mobilidade e coordenação, a fisioterapia reduz a sobrecarga articular e melhora a função.

Um plano individualizado adapta os exercícios às necessidades e objetivos de cada pessoa, para uma recuperação mais eficaz. As sessões regulares ensinam estratégias seguras para o dia a dia e ajudam a prevenir recaídas, para que o paciente retorne à atividade com maior confiança e menor risco de nova lesão.

Este artigo e o conteúdo nele escrito são validados por Dr. Miguel Reis e Silva, Diretor Clinico do Sport Lisboa e Benfica, Médico Especialista em Medicina Física e de Reabilitação, e Especialista em Medicina Desportiva e Medicina da Dor da Clínica Myalgia.

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